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Grande parte dos rapazes e moças da sua faixa etária sente urticária só de ouvir falar em política, não cultiva o hábito da leitura e se deixa seduzir por roupas e calçados de marca. Mas eles ousam colocar causas políticas no centro de suas vidas. A "ideologia" do individualismo e do consumismo mais pueril é abraçada por expressivo contigente de jovens brasileiros. Mas eles não só priorizam as causas coletivas, como lutam para resgatar a memória do país. As atrocidades cometidas pelos golpistas da ditadura militar há mais de 40 anos não passam de registros esfumaçados, na base do "ouvi falar", na cabeça do grosso da juventude. Mas eles não aceitam a anistia aos torturadores e clamam por justiça. Eles são os jovens do Levante Popular da Juventude, movimento que vem sacudindo o país com seus "escrachos".

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Por Saul Leblon, publicado no Portal Carta Maior

O livro 'Memórias de uma guerra suja', depoimento do ex-delegado do DOPS, Claudio Guerra, a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, foi recebido inicialmente com certa incredulidade até por setores progressistas. Há revelações ali que causam uma rejeição visceral de auto-defesa. Repugna imaginar que em troca de créditos e facilidades junto à ditadura, uma usina de açúcar do Rio de Janeiro tenha cedido seu forno para incinerar cadáveres de presos políticos mortos nas mãos do aparato repressivo.
O acordo que teria sido feito no final de 1973, se comprovado, pode se tornar o símbolo mais abjeto de uma faceta sempre omitida nas investigações sobre a ditadura: a colaboração funcional, direta, não apenas cumplicidade ideológica e política, mas operacional, entre corporações privadas, empresários e a repressão política. Um caso conhecido é o da 'Folha da Tarde', jornal da família Frias, que cedeu viaturas ao aparato repressivo para camuflar operações policiais.
Todavia, o depoimento de Guerra mostra que nem o caso da usina dantesca, nem o repasse de viaturas da Folha foram exceção. Esse é o aspecto do relato que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski (foto), que acaba de ler o livro. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e desde então integram a lista dos desaparecidos políticos brasileiros.
Bernardo atesta:' Esta tudo lá: empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas

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Chamam a atenção os espaços generosos cedidos pelas organizações Globo às poucas figuras públicas de um nanopartido, pretensamente de ultraesquerda, que atende pelo nome de Psol. A base do casamento de conveniências é o falso discurso moralista e udenista de ambos, cujo alvo de sempre é o que eles chamam pejorativamente de lulopetismo, mas que, para a maioria esmagadora da população brasileira, é um vitorioso projeto democrático-popular, em curso no país há quase 10 anos. O cinismo mais escrachado dá o tom da relação psolista-global. Será que o Ali Kamel não sabe que o Psol defende a quebra de contratos e o não pagamento da dívida pública do país ? Quer dizer, então, que nem o neoliberalismo atávico dos executivos  dos veículos da família Marinho foi capaz de detectar as insanáveis contradições entre o ideário global e o programa do Psol para o Brasil ?

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Por Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrivinhador

Raymond Aubrac morreu no mês passado. Tinha 97 anos, viúvo. Na França, era tratado como herói. Lutou de armas na mão contra os nazistas e contra os franceses colaboracionistas, que aceitaram manter um regime fantoche em apoio a Hitler.Aubrac e a mulher, morta há uma década, foram líderes da Resistência Francesa. Se morassem no Brasil, parte dos comentaristas e colunistas da direita brazuca certamente diria que eles tinham sido ”terroristas”. Sim, Aubrac lançou bombas, deu tiros. Foi preso, escapou milagrosamente dos nazistas. Tinha inimigos. E lutou. E não deixou de lutar. Depois da Guerra, tornou-se amigo de Ho-Chi-Min. E na última campanha eleitoral francesa, chegou a declarar apoio a Hollande, do Partido Socialista. Ele tinha um lado.

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 Depois que a tropa de choque oposicionista entrou em campo para, com o costumeiro apoio dos seus partidários da mídia corporativa, tentar blindar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, impedindo que ele dê as explicações necessárias à CPI do Cachoeira sobre o engavetamento da Operação Vega, em 2009, os fatos trataram de produzir um efeito bumerangue contra a operação abafa. Primeiro vem à tona a esquisita participação na história da subprocuradora Cláudia Sampaio, esposa de Gurgel. Depois, a Polícia Federal divulga uma nota desmentindo de forma cabal a versão do casal de procuradores. Moral da história : brigar com a realidade é missão das mais inglórias.

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Por Vinícius Mansur, publicado no portal Carta Maior

Brasília - Um levantamento do inquérito 3430, resultado da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF), indica que o editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira se encontraram presencialmente, pelo menos, 10 vezes. Só com Cachoeira foram 4 encontros. O número pode ser maior, uma vez que a reportagem de Carta Maior teve acesso apenas ao apenso 1 do inquérito, com 7 volumes. Entretanto, existem mais dois apensos que, juntos, tem 8 volumes.

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Por Bob Fernandes, no Terra Magazine

Rupert Murdoch é dono de um dos maiores impérios de mídia do mundo. Ele tem centenas de empresas que faturam perto de US$ 30 bilhões/ano. Mesmo com tudo isso, o relatório de uma CPI em andamento na Inglaterra acusa Murdoch de “enganar o Parlamento”.A CPI britânica concluiu que Murdoch e seu filho, James, fecharam os olhos para crimes cometidos por suas empresas. Entre outros crimes, um dos jornais de Murdoch grampeou os príncipes Harry e William, herdeiros da coroa.O Brasil começa a viver a CPI do Cachoeira. Não é segredo que a mídia também está no olho do furacão. E que parlamentares querem investigar as relações entre o bicheiro Cachoeira, o senador Demóstenes Torres e a revista Veja. O ex-presidente Lula também acha que se deve investigar essas relações.Na internet, que no Brasil tem algo como 80 milhões de usuários – estima-se que 48 milhões de usuários diários – o julgamento já começou.