segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Isto não é um partido; é uma fortaleza


Esta semana promete ser de profunda tristeza para o PIG. Não é que o PT mesmo depois do linchamento provocado pelo julgamento do mensalão foi o partido mais votado do Brasil para o cargo de prefeito com mais de 17 milhões de votos, elegendo 624 prefeitos (antes eram quinhentos e poucos) e uma quantidade expressiva de vereadores em todo o Brasil.Não é que o partido tão odiado pelos barões da mídia brasileira elegeu, no primeiro turno, o prefeito de Goiânia, e garantiu lugar no segundo turno em Rio Branco, Cuiabá, Fortaleza, Salvador, João Pessoa e São Paulo. Não é que o PT velho de guerra venceu as eleições, ou foi para o segundo turno, em inúmeras cidades com mais de 200 mil habitantes, em vários estados, sem falar em tantas outras em que emplacou o candidato a vice. O cenário estava montado pelo conglomerado tucano-miditático : as manchetes dos jornalões desta segunda-feira, 8 de outubro, comemorariam o fracasso do ex-presidente Lula ao insistir com um “poste” como Haddad e o fortalecimento da oposição rumo a 2014. Nada disso aconteceu. Deram com os burros n`água novamente. Para aumentar o clima de consternação nas redações de Veja, O Globo, Estadão e Folha, Hugo Chávez venceu mais uma eleição na Venezuela. Chora PIG, chora.

Vale observar que essa não foi a primeira vez que preconizaram o fim do PT. No auge da crise de 2005, quando o mal disfarçado objetivo da mídia era apear Lula do governo, o PT já dera uma baita demonstração de vitalidade e pujança democrática ao atrair para o seu PED (eleições diretas internas do partido) cerca de 350 mil filiados. Um ano depois elegeria a maior bancada na Câmara dos Deputados e reelegeria Lula presidente.

Não chego a abraçar a tese simplista de que o massacre midiático do julgamento do mensalão não tenha atrapalhado o partido nesse primeiro turno. Algum efeito negativo certamente houve, especialmente entre os eleitores das classes média e alta.

Mas os detratores do PT dão sinais de que morrerão sem entender que o legado do partido, sua história de realizações, sua capilaridade e enraizamento na sociedade, sua forte presença no imaginário popular como partido comprometido com as transformações sociais e com os mais pobres são muito maiores do que os estragos eventualmente causados por julgamentos políticos e de exceção. O fato é que essa imagem do partido funciona como uma espécie de dique de proteção, uma fortaleza capaz de rechaçar os ataques inimigos.

Não tenho dúvida de que nenhum outro partido brasileiro sobreviveria ao bombardeio sofrido pelo PT desde que o circo midiático do julgamento do mensalão teve início. Nessa eleição não faltaram também as costumeiras baixarias e sujeiras contra o partido, tais como a foto na primeira página de O Globo de uma montanha de dinheiro encontrada dentro de um avião no Pará - a qual irresponsavelmente o jornal afirma ser destinada à campanha do PT-, o derramamento de panfletos apócrifos em São Paulo e a  invasão da sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo pela polícia tucana para “empastelar” jornais da entidade.

Nada disso impediu, porém, o partido de obter uma ótima votação. É claro que não podemos fazer vistas grossas para os problemas do PT, dentre eles não reagir à altura a tantos insultos e ataques infames, optando por apanhar calado, e não priorizar a luta pela democratização das comunicações no Brasil. Sem falar na crise que vive não é de hoje o PT do Rio de Janeiro.

Desse assunto, que dá “pano pra manga”, tratarei no próximo post.

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