sábado, 10 de setembro de 2011

Sugestão de agenda para os "marchadeiros"

Os que detêm o monopólio da informação no país resolveram inflar a presença nas ruas de alguns gatos-pingados protestando contra a corrupção, em comovente tentativa de conferir ares cívicos e patrióticos a um movimento flácido e despolitizado. Chegaram a compará-lo com as Diretas Já e a campanha pelo impeachmment de Collor.Surtaram. Já que os que marcham contra a corrupção e seus apoiadores de plantão na imprensa não se cansam de dizer que o 7 de setembro foi apenas o começo de uma longa jornada para mudar o Brasil, tive a modesta ideia de propor-lhes alguns temas para suas próximas manifestações.

1 - Cobrar punição também de todos os corruptores;
2 - Lutar pela democratização das comunicações no Brasil;
3 - Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário;
4 - Pressionar os parlamentares para que aprovem a PEC que pune quem explora trabalho escravo;
5 - Defender uma reforma tributária justa - quem ganha mais paga mais, quem ganha menos paga menos;
6 - Taxar as grandes fortunas;
7 - Reforma política, com participação popular e democratização do Estado;
8 - Aprovação do Plano Nacional de Educação;
9 - Apoiar a instalação da Comissão da Verdade no Congresso Nacional;
10 - Fim  das demissões imotivadas ( Convenção 158 da OIT)

Pano rápido. Sabe qual é a minha expectativa de que esse movimento " livre de influências partidárias e convocado pelas redes sociais" adote pelo menos uma das bandeiras acima ? Nenhuma. Rigorosamente nenhuma. E por uma questão de DNA. Ele nasceu por inspiração da parcela da sociedade cada vez menor que se pauta, sem senso crítico, por O Globo, Veja, Folha, Veja e Estadão. Enquanto amplifica a importância política dos "marchadeiros" com o nítido propósito de desgastar o governo, o Partido da Imprensa Golpista, para fingir despolitização, abre espaço para declarações lamentáveis como a da pretensa organizadora do movimento no Rio, Cristine Maza, explicando porque os políticos não são bem-vindos à campanha : " Políticos e partidos políticos estão todos envolvidos com a corrupção. Esta é uma luta da sociedade."

É isso mesmo. Para essa senhora, bastou ser militante político para ser ladrão.Isso é produto da desqualificação da atividade política martelada dia sim outro também pela mídia. O moralismo udenista da ultra-esquerda também joga água no moinho da demonização da política. Essas vestais da moralidade parecem não se dar conta do desserviço que prestam à democracia e acabam dando tiro no próprio pé, pois uma vez eliminada a atividade política, restaria a barbárie. Como já disse aqui neste meu canto, ética como bandeira política é uma armadilha. Conduta ética é dever de cada um  e não item de programa partidário. O PT errou, e paga um alto preço até hoje, por ter embaralhado esses conceitos. A ultra-esquerda não aprendeu a lição e segue o mesmo caminho.

Voltando aos "marchadeiros" do Dia da Independência, vamos aos fatos : capitais como Belo Horizonte e São Paulo registraram um número de manifestantes beirando o ridículo se comparado com o escarcéu midiático; já em Brasília, a manifestação foi claramente engrossada pelas pessoas que estavam lá para asssitir o desfile da Independência. Ainda assim, os veículos de comunicação, no afã de capitalizar politicamente o episódio, bateram cabeça em relação ao número de manifestantes, falando em 2 mil, 5 mil, 12 mil, 20 mil e até 25 mil.

Contudo, um ou outro jornal, nas entrelinhas e de forma meio envergonhada, acabou admitindo um fato de inegável importância : a presidenta Dilma foi muito apaludida quando subiu ao palanque para o ato oficial de 7 de setembro.

2 comentários:

  1. Muito bem Bepe, o texto ficou perfeito, vou propor o Carlos da Imprensa do SEEB para colocar no site. Vou reproduzir na segunda feira no meu Blog.

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